quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Resenha: Motörhead – Aftershock


A saúde de Lemmy Kilmister não anda nada boa e, pelo andar da carruagem, a turnê europeia que foi adiada para 2014 pode não acontecer. Com diversos problemas, o vocalista do Motörhead pode ser forçado a deixar os palcos após quase 50 anos de atuação entre roadie de várias bandas e líder de uma das mais emblemáticas e influentes das últimas décadas.

Há duas semanas, a banda lançou Aftershock, 21º trabalho de estúdio, o sexto desde 2002. Apesar da saúde abalada nos últimos meses, Lemmy mostra que a potente voz ainda dá conta do recado em “Heartbreaker”, música de abertura. A velocidade imprimida pelo trio é absurda e deixa qualquer moleque de boca aberta – em um passado não tão distante, eles eram ainda mais rápidos.

Em “Coup De Grace” o ritmo é mantido com solos e mais solos de guitarra do competente Wizzö Campbell. Fã de Chuck Berry, Little Richard e de grandes bluseiros dos anos 1950, Lemmy tem um projeto chamado The Head Cat, em que ele canta clássicos do rock dos anos 1950 e 1960, e ele levou um pouco dessa atmosfera para “Lost Woman Blues”, um heavy metal de grande categoria.

A velocidade retorna em “End Of Time”, canção que funciona ao melhor estilo Motörhead, assim como “Do You Believe” – em que ele canta que acredita no rock and roll. E se o primeiro terço do álbum é tomado por músicas que ultrapassam os três minutos, a segunda parte só conta com faixas com menos do que isso, começando com “Death Machine”, absurdamente boa.

A grande surpresa do trabalho é “Dust And Glass”, uma balada romântica cantada por Lemmy. Pois é, os brutos também amam, diria o poeta. O melhor da banda em 40 anos é mostrado em “Going To Mexico”. Não é nenhuma novidade esse tipo de faixa, mas mostra que só o Motörhead consegue fazer isso com qualidade.

Na parte final de Aftershock há um equilíbrio entre músicas mais longas e pesadas e faixas mais curtas e rápidas. “Silence When You Speak To Me”, por exemplo, encaixa muito bem no primeiro exemplo. Já conhecida do grande público, “Crying Shame” é outra que apela para solos de guitarras e a bateria de Mikkey Dee funcionando muito bem.

“Queen Of The Damned” e “Knife” têm aquela levada conhecida: uma mistura entre o melhor do metal com punk, enquanto “Keep Your Powder Dry” é mais longa e é a única em que a voz parece mais cansada do que as anteriores – talvez a faixa foi a última a ser gravada, por isso a diferença. Por fim, “Paralyzed” encerra o disco da melhor forma possível: rápido e rasteiro, porém fatal.

Se for melhor para a saúde Lemmy, que a banda encerre suas atividades com Aftershock sendo o último disco de estúdio, trabalho muito digno e encerraria muito bem para um encerramento. E serve até para iniciar qualquer pessoa que deseja conhecer esse grupo lendário. Assim como quase todos os discos da banda, o registro que deve funcionar ainda melhor ao vivo, isso se o Motörhead tiver a chance de tocá-lo.

Tracklist:

1 – "Heartbreaker"
2 – "Coup De Grace"
3 – "Lost Woman Blues"
4 – "End Of Time"
5 – "Do You Believe"
6 – "Death Machine"
7 – "Dust And Glass"
8 – "Going To Mexico"
9 – "Silence When You Speak To Me"
10 – "Crying Shame"
11 – "Queen Of The Damned"
12 – "Knife"
13 – "Keep Your Powder Dry"
14 – "Paralyzed"

Nota: 3,5/5



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