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segunda-feira, 22 de julho de 2013

Documentário: Sound City, de Dave Grohl

Sound-City

Localizado em Van Nuys, Califórnia, o estúdio Sound City foi casa de grandes sucessos do rock em quase 45 anos de atividade. E é um pouco dessa história que Dave Grohl, frontman do Foo Fighters e um dos grandes entusiastas do local, tenta contar em seu primeiro filme como diretor.

A história começa contando como o local foi adquirido por Joe Gottfried e Tom Skeeter, que logo tiveram a ideia de montar uma gravadora para tentar ganhar dinheiro. Os negócios estavam indo razoavelmente bem – Neil Young, ainda não tão conhecido em sua carreira solo, gravou After the Gold Rush e conseguiu o primeiro sucesso do estúdio ainda nos anos 1960.

A ideia era receber quem estivesse disposto a pagar e gravar um álbum – até Charles Manson gravou lá. Em baixa, o Fleetwood Mac buscava um lugar, nos Estados Unidos, para gravar o próximo trabalho, e eles acabaram chegando ao Sound City Studios, lugar em que Mick Fleetwood ouviu uma canção da banda Buckingham Nicks, gostou e chamou o guitarrista Lindsey Buckingham para trocar de banda, que aceitou, mas fez uma exigência: que sua namorada, Stevie Nicks, também fizesse parte do grupo. Com tudo feito e a nova formação entrosada, eles gravaram o disco chamado Fleetwood Mac e a banda explodiu no mundo. E o estúdio conseguiu a primeira mina de ouro.

No decorrer dos anos, muitos artistas passaram pelas famosas salas de gravação – Tom Petty, Rick Springfield, Santana, Fear, entre outros, mas a chegada dos CDs e da melhora da tecnologia quase fechou o estúdio nos anos 1990. Até que veio a segunda grande mina de ouro: o Nirvana. Ainda novatos, Grohl, Kurt Cobain, Krist Novoselic e Butch Vig entraram em estúdio para gravar Nevermind. E a máquina de fazer sucessos conseguia ganhar uma sobrevida com novos clientes, como o Nine Inch Nails e o Rage Against The Machine, os novos ícones de uma nova geração do rock.

Durante o documentário, muitas histórias de personagens importantes são contadas, como as secretárias que passaram pelo lugar e da famosa mesa projetada por Robert Neve, comprada à época por pouco mais de US$ 75 mil. Os depoimentos dos músicos sobre o equipamento são quase de membros de uma seita falando de seu Deus.

Um dos problemas em ter uma história tão rica é que não é possível se aprofundar de maneira adequada em todos os temas, por isso alguns são tratados de maneira rasa, deixando a sensação de que faltou alguma coisa. Por exemplo, espremeram os anos 1960, 1970 e 1980 em pouco mais de 50 minutos, enquanto a parte final – com os novos artistas, a compra da famosa mesa por parte de Grohl e a gravação do disco – toma o resto do documentário.

Apesar disso, o filme não se limita a contar a história do estúdio, mas abre um interessante debate sobre até que ponto a tecnologia ajuda ou atrapalha o artista. É um debate muito bom, e é interessante ver gente do calibre de Trent Reznor, um dos fanáticos por tecnologia, expondo seu ponto de vista. Ou a opinião de Josh Homme e de Brad Milk, do Rage Against The Machine, sobre o assunto.

A gravação da trilha sonora do documentário é algo quase mágico. Ver tanta gente boa usando a mesa depois de tantos anos é bem bacana e é difícil não se emocionar. Uma das partes legais é ver Paul McCartney gravando uma canção com o que sobrou da formação original do Nirvana.

Se você é saudosista e gosta de música antiga, é um excelente documentário. E se você for um gosta da tecnologia, é uma boa chance de ver como as coisas eram feitas.

http://youtu.be/HQoOfiLz1G4