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quarta-feira, 17 de julho de 2013

Documentário: Do Underground ao Emo, de Daniel Ferro


Em meados dos anos 1990, a primeira geração do rock brasileiro já não estava tão na ativa assim, e questionava-se o futuro da música brasileira, invadido pelo axé, pagode e música para divertir. Tendo como referência bandas de fora, como NOFX e Bad Religion, vários jovens brasileiros decidiram formar suas próprias bandas. E é essa história que conta Do Underground ao Emo.

Dance of Days, Dead Fish, CPM22 e Hateen são algumas das bandas conhecidas que têm suas histórias contadas, sendo o CPM a principal banda dessa geração – eles foram os primeiros a estourar, a assinar contrato com uma gravadora importante e a fazer sucesso comercial.

Um dos pontos principais é do momento de sair do underground. Por não querer ser taxado de vendido e outros rótulos, muitas bandas relutavam bastante para crescer – e até hoje preferem manter-se fora dos holofotes. Por outro lado, com a ascensão do CPM22, pensar em sucesso e em uma vida melhor deixou de ser o pote de ouro no final do arco-íris e virou objetivo de muitos grupos recém-formados.

Temas como mudar o som e “se vender ao sistema” são tocados. Outra parte interessante é de como pessoas de fora da cena, como eles chamam o movimento, tentam se apropriar disso, e elas são criticadas por todos os músicos entrevistados. O documentário avança e chega à nova geração, como NX Zero, Fresno e Strike, que passaram pelo mesmo caminho da primeira geração jovem do hardcore brasileiro – que teve o Orkut e do Fotolog como principais divulgadores.

Um tema muito delicado foi o rótulo emo que as bandas experientes ganharam. Badauí, vocalista do CPM22, é um dos principais críticos e culpa a imprensa pela divulgação excessiva desses termos – amplamente divulgado no início dos anos 2000. O que apenas Lucas Silveira, da Fresno,  e Rodrigo Koala, do Hateen, assumem é que eles colaboraram para massificar o termo, e eles são os únicos que fazem uma mea culpa sobre o assunto.

Com muitos dos entrevistados batendo na casa dos 30 e 40 anos, respectivamente, Undergound ao Emo tem um quê de saudosismo, relembra os tempos difíceis e reflete um pouco sobre o futuro do underground brasileiro, que, nos dias atuais, tem as mesmas referências das bandas que fazem sucesso atualmente. O que não deixa de ser um pouco preocupante.