No YouTube

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Documentário: Sem Dentes - Banguela Records e a Turma de 1994, de Ricardo Alexandre


1994 foi um ano e tanto para o Brasil em vários aspectos. De janeiro até dezembro, Ayrton Senna morreu, o Brasil quebrou um jejum de 24 anos sem ganhar a Copa do Mundo e um selo foi criado para abrigar algumas das revelações da música brasileira naquela época. O Banguela Records durou pouco, mas acabou sendo fundamental para mostrar ao Brasil o quão grande musicalmente ele era – sempre foi, e sempre será.

Ricardo Alexandre não é um documentarista ousado nas montagens de seus trabalhos, mas ele tem um dom incrível de contar histórias, seja em seus livros, em seu blog ou em seus longas. Seja em Napalm – O Som da Cidade Industrial, Julio Barroso – Marginal Conservador ou Ronnie Von – Quando Éramos Príncipes, ele consegue tirar de todos os entrevistados depoimentos tão bons, que o quebra-cabeça da montagem fica muito mais fácil para quem assiste, já que tudo é muito bem interligado e bem explicado - e até soa como a continuação do livro Dias de Luta – O Rock e o Brasil dos anos 80 e um pedaço do de outro livro de Ricardo, Cheguei a Tempo de Ver o Palco Desabar.

O Banguela Records foi um selo ligado à WEA Music fundado pelos Titãs e liderado pelo jornalista e produtor musical Carlos Eduardo Miranda, um gênio de ouvido apurado que pescou nomes com potencial enorme para fazer sucesso na música brasileira naquele ano.



Com André Forastieri, Nando Reis e Charles Gavin são alguns dos ótimos personagens, mas quem dá show mesmo é Miranda – aliás, na cabine em que fui, ele estava lá e era engraçadíssimo vê-lo comentando e rindo dos próprios depoimentos sobre o Banguela, sobre a loucura que foi fazê-lo, sobre a mentira contada (encampada por Forastieri) à Folha de São Paulo para tentar fazer as coisas andarem mais rápido. E ele conseguiu lançar Raimundos, Graforréia Xilarmônica, Kleiderman, Little Quail and The MadBirds, Maskavo Roots, Mundo Livre S/A e outras mais. Ao final de quase duas horas de documentário, é possível reviver coisas da minha infância e adolescência, já que Raimundos e Mundo Livre S/A foram algumas das bandas nacionais que mais ouvi. E saber o processo de criação da gravadora que trouxe isso aos ouvidos de uma geração foi algo espetacular em um documentário simples, mas muito competente.

O final reserva algo interessante: 20 anos depois, temos uma geração que soa melhor e mais madura do que a que surgiu no Banguela, que está sendo exaltada neste documentário por ser a segunda grande geração musical brasileira depois da turma dos anos 1980. E há um futuro brilhante pela frente, aberto, com erros e acertos de todos os envolvidos, em 1994.

Para saber as exibições do documentário na sétima edição do In-Edit Brasil, clique aqui e aqui para ir ao site oficial do evento. Aqui para ouvir o programa especial com Ricardo Alexandre e apresentado pelo amigo Maurício Gaia no UOL e aqui para uma entrevista do diretor no blog do Alexandre Matias.