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sexta-feira, 12 de junho de 2015

Discos para história: The Marshall Mathers LP, de Eminem (2000)


A 91ª edição do Discos para história falará sobre The Marshall Mathers LP, terceiro álbum de Eminem e trabalho com maior quantidade vendida em menos tempo de um artista masculino na história das paradas dos Estados Unidos.

História do disco

O fim de 1999 havia colocado Eminem entre os rappers mais famosos do mundo. Se sua estreia não havia atingido as expectativas, isso mudou em The Slim Shady LP. Descoberto por um produtor depois de ter vencido um campeonato de rimas, ele foi apresentado a um diretor da gravadora Interscope, que intermediou a apresentação dele a Dr. Dre – já famoso e consagrado como um dos grandes de sua geração.

E foi um estouro o lançamento do álbum, vendendo perto das 300 mil cópias na semana de estreia. De um cara pobre e com dificuldades para criar a filha, Marshall Bruce Mathers III, em poucos meses, estava rico, famoso e cheio de fãs pelo mundo. Tudo por conta de suas letras cruas e duras sobre a realidade de crescer em um lar infeliz, e como isso afetou sua vida para sempre ao longo dos anos.

Pronto para gravar seu próximo disco, Eminem não pediu muito: recrutou Dre mais uma vez, uma penca de amigos, produtores e mandou brasa no estúdio mesmo. A grande maioria das canções foi escrita durante o período em que ficava trancado com sua equipe – segundo ele, para evitar qualquer tipo de pressão externa – na sala de gravação. As únicas planejadas foram “Kim”, escrita em 1998 para sua então namorada, e “Stan”, que o rapper a escreveu detalhadamente do início ao fim, sabendo exatamente o que queria contar. Dido, cantora de “Thank You”, adorou o resultado quando ouviu e autorizou o sampler logo que terminou de ouvir a fita.

A alta expectativa da gravadora só aumentou quando uma pesquisa apresentou um número espantoso: Eminem poderia ser o primeiro artista homem a superar um milhão de cópias na semana de estreia. Mas havia um problema. No entendimento dos diretores, não havia um single com potencial de sucesso para alavancar as vendas do trabalho. Foi aí que apareceu "The Way I Am". E seria o único esforço dele para agradar, mas, em um momento de inspiração único no estúdio, escreveu quase que de uma vez "The Real Slim Shady".

The Marshall Mathers LP vendeu 1.76 milhão de cópias na primeira semana, tornando o cantor o homem mais bem-sucedido em sua estreia na história da música americana e foi o primeiro a vender mais de 500 mil cópias por semana por um mês, inaugurando um novo recorde na indústria musical – com mais de 11 milhões de cópias vendidas, é o trabalho mais vendido do rapper em toda sua carreira.

O teor das letras gerou inúmeros processos para Eminem depois de gravado, porém não o tirou da linha de frente dos melhores rappers que os Estados Unidos viram entre o final dos anos 1990 e início dos anos 2000, mostrando a terceira geração do hip-hop americano ao mundo.


Resenha de The Marshall Mathers LP

"Public Service Announcement 2000" apresenta Eminem usando uma penca de palavrões e afirmando “se não gostou, me processe”. Bom, muita gente fez isso, mas não vem ao caso em "Kill You", um resumo da vida do cantor até aquele momento – desde ele sendo desprezado pela mãe até virar capa da Rolling Stone. Claro que a faixa deu polêmica, já que ele afirma com todas as letras que deseja matá-la. Ele termina com um I'm just playin' ladies. You know I love you.

Ao unir “Thank You”, de Dido, na letra de "Stan", que fala sobre um fã maluco (um claro recado ao mundo do que acontecia em sua vida), Eminem fez uma das melhores músicas dos anos 2000. Do início ao fim, é uma história como há muito o rap não ouvia, principalmente pelo tom usado. Sinceramente, ao mesmo tempo em que é genial, assusta um pouco essa realidade tão perversa colocada na letra.

A curta "Paul" não serve para muita coisa, mas antecede "Who Knew", outra letra autobiografia. No caso dela, fala sobre o efeito das letras nas crianças e como ele não tinha ideia de como ficaria famoso de uma hora para outra. E "Steve Berman" é a história de que a gravadora não gostou do disco e pediu um single a Eminem, que veio com "The Way I Am", uma letra direta sobre como sua vida havia mudado e como ele estava de saco cheio de processos, das pessoas, das notícias dos jornais.



O alter ego do cantor, Slim Shady, aparece em "The Real Slim Shady", uma crítica a, primeiro algo muito comum, série de rappers brancos que aparecerem depois dele. Segundo, aos acontecimentos entre 1999 e 2000 – desde uma ida ao Grammy, críticas as boy bands, MTV, Christina Aguilera e Britney Spears. É uma música datada, sem duvida, porém mostra como ele era amado e odiado há 15 anos e como ele chamava atenção, seja por suas letras ou atitudes.

"Remember Me?" é muito pesada, trazendo o velho rap americano de batida simples extremamente pesada, várias colaborações e dando um panorama sobre a vida de algumas pessoas na pobreza . Na parte de Eminem, de novo, ele fala da mulher, e isso também acontece em "I'm Back" – aqui ele traz a visão do “olha como estou agora. Você me dispensou, agora sou rico e posso cuidar da minha filha”. Outra letra desabafo é "Marshall Mathers", momento do cantor usado para chamar para briga todos que o odeiam em um (quase) ode à violência.

Não foi de graça a quase proibição do disco, já que há um áudio que simulam sexo oral em "Ken Kaniff". E Eminem se coloca como um usuário de drogas que transa com várias mulheres em "Drug Ballad", porém ele diz que está mudando e tentando melhorar a postura. Na pesada "Amityville", o cantor relata a vida em Detroit, cidade dos Estados Unidos chamada de “capital dos assassinatos” e, recentemente, anunciou sua falência.



Com as participações especiais de Dr. Dre, Snoop Dogg, Xzibit and Nate Dogg "Bitch Please II" não tem nenhum assunto específico e fica no estilo livre quase o tempo inteiro. Em uma de suas letras mais reveladoras, Eminem coloca seu relacionamento destrutivo com sua ex-mulher em "Kim". Escrita em 1997, fala sobre uma traição dela e da dúvida entre matá-la, mas não viver sem ela. A letra causou bastante polêmica, pois traz um assassinato na parte final, e isso deixou o movimento em prol das mulheres bem irritado com o cantor.

"Under the Influence" parece ter sido escrita e cantada enquanto todos fumavam maconha, e é outra que não tem um tema específico de pano de fundo. Por fim, "Criminal" tem um Eminem criticando, sendo preconceituoso com o movimento LGBT e fazendo um resumo do que é o álbum. Ele encerra dizendo que “muitas coisas ele inventa só para provocar”.

Controverso, sem dúvida alguma Eminem mexe com as pessoas, seja para amá-lo ou odiá-lo. The Marshall Mathers LP foi a consolidação de um dos nomes do rap americano quando, ao expor sua vida, explicou que todo jovem tem sua chance na vida.



Ficha técnica:

Tracklist:

1 - "Public Service Announcement 2000"
2 - "Kill You" (Marshall Mathers, Andre Young, Melvin Bradford)
3 - "Stan" (featuring Dido) (Mathers, Dido Armstrong, Paul Herman)
4 - "Paul" (skit)
5 - "Who Knew" (Mathers, Young, Bradford, Mike Elizondo)
6 - "Steve Berman" (skit)
7 - "The Way I Am" (Mathers)
8 - "The Real Slim Shady" (Mathers, Young, Tommy Coster, Elizondo)
9 - "Remember Me?" (featuring RBX and Sticky Fingaz) (Mathers, Young, Eric Collins, Kirk Jones)
10 - "I'm Back" (Mathers, Young, Bradford)
11 - "Marshall Mathers" (Mathers, Jeff Bass, Mark Bass)
12 - "Ken Kaniff" (skit)
13 - "Drug Ballad" (featuring Dina Rae) (Mathers, J. Bass, M. Bass)
14 - "Amityville" (featuring Bizarre) (Mathers, J. Bass, M. Bass, Rufus Johnson)
15 - "Bitch Please II" (featuring Dr. Dre, Snoop Dogg, Xzibit and Nate Dogg) (Mathers, Young, Bradford, Elizondo, Calvin Broadus, Alvin Joiner, Nathaniel Hale)
16 - "Kim" (Mathers, J. Bass, M. Bass)
17 - "Under the Influence" (featuring D12) (Mathers, Denaun Porter, Von Carlisle, Ondre Moore, Johnson, DeShaun Holton)
18 - "Criminal" (Mathers, J. Bass, M. Bass)

Gravadora: Aftermath, Interscope, Shady e Goliath
Produção: The 45 King, Bass Brothers, Dr. Dre, Eminem e Mel-Man
Duração: 72min14s

Eminem: voz

Convidados:

Bizarre, Dido, Dina Rae, Kuniva, Mr. Porter, Nate Dogg, Paul Rosenberg, Proof, RBX, Snoop Dogg, Steve Berman, Sticky Fingaz, Swifty McVay, Xzibit, Dr. Dre e Jeff Bass.

Camara Kambon: teclado
John Bigham: guitarra
Mike Elizondo: baixo, guitarra e teclado
Paul Herman: guitarra
Tommy Coster: teclado