sexta-feira, 10 de agosto de 2018

Cinco resenhas curtas de discos #4

Era pra ter saído em junho, mas atrasou. Era pra ter saído em julho, mas adivinhem...


Tchella – "Transmutante"

Existe uma certa mania atual de que toda cantora precisa soar exatamente igual a todas as outras que estão fazendo sucesso. E não só, precisa cantar praticamente sobre as mesmas coisas. O problema de tentar ser tanta gente é não encontrar sua própria voz, o que prejudica bastante o trabalho da cantora Tchella em sua estreia em estúdio. "Pré-Sinto", "Meu Tempo" e "Todos Em Nós" são os destaques de um disco que começa mal, mas melhora um pouco na parte final. Talvez ali seja o caminho ideal para ela encontrar sua voz.

Avaliação: irregular


Insular – "Penitência"

Banda do Piauí, o Insular conseguiu misturar o que há de mais chato no tal do rock nacional ao parecer uma mistura de Catedral com o emo dos anos 2000. Insuportavelmente chato. Uma coisa boa: a capa do disco é uma das mais bonitas desse ano.

Avaliação: ruim


Inquérito – "Tungstênio"

O pessoal do rap tem uma enorme vantagem com relação a cena do rock: não tem rabo preso com ninguém. Ou seja, podem abrir a metralhadora de palavras contra tudo que está errado, exatamente como o grupo Inquérito faz em "Tungstênio". E é bem difícil destacar uma faixa só, porque é o tipo de trabalho que merece ser ouvido do início ao fim sem pausas várias vezes. É desses discos para prestar atenção em tudo, da batida até as participações especiais – todas na medida certa. Só para falar que não destaquei nenhuma faixa: ouçam "Coração de Camarim", em que o grupo convida o português Luís Travassos para cantar fado. É lindo, de verdade.

Avaliação: ótimo

Veja também:
Cinco resenhas curtas de discos #3
Cinco resenhas curtas de discos #2
Cinco resenhas curtas de discos #1



Bellini – “Bellini”

Em tempos de artistas lacradores de ambos os espectros políticos, Bellini lançou seu disco mais recente – autointitulado – para mostrar que é possível fazer faixas despretensiosas, com bons arranjos e boas o suficiente para mostrar que o pop rock brasileiro tem força e pode fugir do modismo atual. Os destaques são: "Não", "Seguir", "Sonho" e "Queria Bem Mais".

Avaliação: bom


Elza Soares – “Deus é Mulher”

Elza Soares tem conseguido fazer sucesso entre muita gente da nova geração, principalmente depois da repaginada que recebeu de compositores dessa neo-MPB que surgiu recentemente. “A Mulher do Fim do Mundo” (clique aqui e leia da resenha do disco lançado em 2015) é ótimo por trazer uma cantora falando de si e sua própria história, enquanto “Deus é Mulher” coloca a cantora como porta-voz de um grupo de pessoas e seu respectivo espectro político. Não dá para acreditar muito no que ela canta, diferente do anterior. Fora que, em muitas faixas, parece que aumentaram o volume dos instrumentos de propósito para encobrir algumas das falhas visíveis aos ouvidos mais atentos.

Avaliação: ruim


Me siga no Twitter e no Facebook e assine o canal no YouTube. Compre livros na Amazon e fortaleça o trabalho do blog!

Saiba como ajudar o blog a continuar existindo

Gostou do post? Compartilhe nas redes sociais e indique o blog aos amigos!