sexta-feira, 9 de março de 2018

Entrevista: Gustavo Garcia (Overload Music Fest)


Sócio da Overload conta sobre o recesso do evento e revela quanto precisaria cobrar para ter lucro

Deu para ver que o Overload Music Fest foi uma ótima experiência. O quanto ela agregou na vida de vocês?

Gustavo Garcia: Além da experiência de organizar um festival em si, especialmente nas questões de logística, cronograma, etc, o Overload Music Fest foi o evento em que mais ousamos. Trouxemos bandas "exóticas" e fizemos experiências interessantes. Também criamos uma relação próxima com o público do festival - conhecemos vários frequentadores pessoalmente, inclusive pessoas de outros estados e países.

Qual foi a melhor banda que você viu nos anos de existência do festival?

Eu gostei muito da maioria das bandas. Se for para escolher algumas, citaria God is an Astronaut, Riverside e Sólstafir.

Quanto tempo leva para organizar um evento desse tipo?

Mais ou menos nove meses entre negociações com os artistas, divulgação, pré-produção, etc.

É muito difícil para o mercado brasileiro absorver um festival desse estilo? Por quê?

Sim, e boa parte dos motivos foram abordados no texto que publicamos em nosso blog. Não existem culpados, é simplesmente uma equação de difícil solução: encontrar as atrações ideais, cobrar um preço que o público aceite, etc.


Um dos temas abordados no comunicado no site de vocês é financeiro. Queria saber mais detalhes do custo operacional do festival. Quanto é para trazer uma banda? Quanto é para alugar a casa de show? Os impostos são altos? Quanto vocês gastam para fazer um evento do tipo?

Não falamos publicamente sobre os custos de produção. O que posso dizer é que, no caso do Overload Music Fest, o problema não está especificamente nos cachês ou nos valores gastos com equipamento, por exemplo. A questão é que sai caro trazer a maioria das bandas (somatória de cachês passagens aéreas) quando boa parte delas vêm para apresentação única no país ou no continente. O fato de termos sempre pelo menos três atrações estrangeiras em um festival pequeno (independente de ser show único ou dentro de uma tour) também não ajuda.

Qual seria o preço justo do ingresso para vocês cobrirem as despesas e terem lucro?

O tíquete médio teria que ser por volta de R$ 300 para o festival fazer sentido financeiramente, mas é difícil prever qual seria a reação do público.

Nos quatro anos de festival, o prejuízo foi exatamente de quanto?

Como respondi anteriormente, não falamos sobre isso, mas foram prejuízos consideráveis para uma empresa do nosso porte.

O comunicado também fala em "várias soluções, mas todas se desvirtuavam da proposta do evento". Quais seriam essas soluções?

Escalação de bandas que fugiriam da proposta musical do OMF ou mesmo repetição de artistas que tocaram em outros anos.

Existe alguma chance de o Overload Music Festival ter uma edição ainda em 2018?

Em 2018 não. Talvez em 2019, mas as circunstâncias precisam ajudar, assim como ocorreu na edição de 2016 (a única que não deu prejuízo).

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