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quarta-feira, 10 de maio de 2017

Os 35 anos de Rio, sucesso do Duran Duran


Obra-prima de banda está mais atual e influente do que nunca

Por Javier Freitas*

Em 1981, o Duran Duran fez sua estreia com o álbum que, singelamente, levava o nome da banda. Com hits como "Girls on Film" e "Planet Earth" a banda conseguiu alcançar sucesso de crítica e comercial logo de cara, ainda que o êxito do disco tenha sido primariamente local.

Fazendo um bom debut, muitas bandas não conseguem suportar a pressão do segundo disco e acabam caindo em desgraça. A necessidade em fazer um álbum tão bom quanto o primeiro ou ainda melhor é causa do declínio de muitos grupos ao longo da história. Por mais que houvesse o potencial, a expectativa não correspondida acabava frustrando fãs e crítica especializada. Os Stone Roses são, possivelmente, a prova máxima dessa afirmação.

Tal relação entre expectativa e realidade não acometeu o Duran Duran. Um ano depois de sua estreia, a banda lançaria o trabalho que seria sua obra-prima e a perpetuaria como uma das maiores e mais influentes bandas de todos os tempos. Num dia como hoje, em 10 de maio de 1982, o icônico Rio viu a luz do dia.


Uma curiosidade sobre o disco é que ele não é, nem de longe, uma homenagem à cidade do Rio de Janeiro, embora essa informação seja amplamente – e erroneamente – difundida na internet. Na verdade, a própria faixa título, ao citar o Rio Grande, que é o limite entre o México e o estado americano do Texas, já faz tal teoria cair por terra.

Musicalmente falando, a primeira evidência de que Rio seria algo grandioso já estava logo no começo. A faixa que dá o nome ao álbum abre os trabalhos de forma arrebatadora. Guiada pelo furacão que é a linha de baixo de John Taylor e também pelo constante synth de Nick Rhodes, a canção é uma daquelas que já se sabia que seria um hit instantâneo. Seu refrão, aliado ao lead implacável de Andy Taylor, gruda na cabeça de tal maneira que é simplesmente impossível não arriscar alguns passos ou se pegar cantando junto em qualquer lugar.

Na sequência, "My Own Way" é outro dos quatro singles do disco, tendo sido lançada ainda em 81 para testar a recepção do público. Ainda que tivesse atingido relativo sucesso, figurando em boas posições ao redor do mundo, a faixa é costumeiramente ignorada pela banda em shows e compilações – sendo certamente a canção menos festejada do disco.

Entretanto, o que se vê adiante é um daqueles momentos de raríssima felicidade e inspiração no que tange a composição e execução. Primeiro, em "Lonely in Your Nightmare", John Taylor gravou aquelas que devem ser suas melhores linhas em toda a discografia do Duran Duran. O baixo utilizado na faixa, um Aria Pro II fretless, chega a cantar junto de LeBon tanto nos versos quanto no refrão. Depois, outro dos sucessos absolutos: "Hungry Like the Wolf".

Utilizando-se da mesma fórmula de Rio, com um synth que não cessa e um refrão absolutamente empolgante, o vídeo da música é um dos grandes responsáveis por dar o pontapé inicial no que se compreende por 'geração MTV'. Não à toa, a banda faturou, justamente com "Hungry Like the Wolf", o primeiro Grammy dado ao melhor vídeo, em 1984.

Nas três faixas seguintes, "Hold Back the Rain", "New Religion" e "Last Chance on Stairway", a banda mantém o som nas alturas, na mesma verve de Hungry. Neste espaço de quase 14 minutos entre estas três canções, o que se vê é quase um duelo entre as guitarras de Andy e o baixo de John como a força condutora do som da banda, enquanto os teclados de Nick Rhodes e a bateria de Roger Taylor seguram as pontas lá atrás.

Aliás, não apenas neste ínterim, mas no álbum como um todo, é fácil perceber a energia do então jovem baterista, que ainda estava por completar 22 anos. Numa pegada absolutamente non-stop e fazendo o balanço certo entre técnica e swing, Roger dava a estrutura necessária para que os outros membros pudessem brilhar. Mas, claro, é simplesmente impossível falar de Rio sem falar de "Save a Prayer". Sendo o disco Rio a masterpiece do Duran Duran, é inimaginável pensar que o maior hit da banda sairia de outro álbum que não fosse este.

O synth e o baixo são inconfundíveis e, claro, a base de sustentação da faixa. Entretanto, aqui, o que se sobressai são não só os vocais de Simon LeBon e sua capacidade como compositor, mas também o solo de Andy Taylor, que fez com que o Duran Duran produzisse seu primeiro hino: aquela música que faz com que um grupo deixe de pertencer aos pequenos clubes e casas de shows e se transforme numa legítima banda de arena.

E se "Save a Prayer" já havia baixado o ritmo do álbum, ele cai ainda mais com "The Chaffeur", que encerra os trabalhos. A balada, que já ganhou versão até mesmo nas mãos do Deftones, é responsável por trazer o álbum ao seu destino, como se ele fosse uma montanha russa. Depois de muita altura e muita velocidade, termina de forma suave. Devagar, quase parando.

Hoje, 35 anos depois de seu lançamento, Rio segue mais atual e prestigioso do que nunca. O show da banda nas edições latinas do Lollapalooza, com diversos hits de Rio sendo cantados a plenos pulmões, só faz provar que algumas bandas mais novas que são claramente influenciadas pelo Duran Duran, como o Killers ou o Miami Horror podem ser ótimas, mas nada bate o original.



*Javier Freitas é companheiro de blog no ESPN FC e escreve sobre o Manchester City

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