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segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Meus discos de 2016, por Rafael Monteiro


Lista vai de Carla Dal Forno a Nick Cave

Provavelmente, eu estivesse exagerando ao elencar 25 ou 26 discos favoritos nesse ano. Não gostei, de cabo a rabo, de todos eles. Se eu tivesse que descrever 2016 em termos musicais com uma frase de efeito, eu diria que vivemos a temporada das “menções honrosas”. Talvez os clássicos da década já tenham sido lançados e nós já chegamos naquela época em que somente esperamos o “novo” chegar (ele não sempre vem?). Enquanto o compositor de Sobral, o do bigode, não retorna do seu exílio físico e mental, deixo aqui 13 discos e algumas músicas que ajudam a explicar o que foi o ano de 2016 para mim, caso ele precise de algumas recomendações. São eles:


Nick Cave – Skeleton Tree
O que eu mais gosto nesse disco é como ele subverteu toda as expectativas. Não é a obra-prima grandiosa que todos esperávamos. É um álbum mais contido em todos os sentido; embora emocione, ainda reserva um espaço de manobra para que Nick tenha alguma privacidade em sua dor. Em nenhum momento, Skeleton Tree pode ser usado como fetichização da tristeza e das grandes perdas. Trata-se somente de um passo adiante, resignado, de um pai em pranto.


Céu – Tropix
Amo a capa, o conceito, os clipes, a própria Céu. Com o disco, realizei o sonho bobo de comprar um vinil no mês do lançamento oficial e conhecê-lo melhor na vitrola. Durante três meses, não ouvi outra coisa. Guardarei a lembrança com carinho, ao lado dos outros discos da estante.


Noname – Telefone
Meu disco favorito de hip-hop do ano e também o que mais me fez buscar outras leituras e referências. É bonito poder aprender com gente da mesma idade que a gente.


Radiohead – A Moon Shaped Pool
Por mais que estivesse na torcida, eu não acreditava que o Radiohead conseguisse esquivar-se da “maldição dos 15 anos” e manter-se tão pungente em pleno 2016. Felizmente, eu estou sempre errado nas minhas previsões.


Jenny Hval – Blood Bitch
Ninguém construiu um ambiente musical tão bem quanto ela no último ano. É uma trilha sexy e elegante de filme de vampiro. Parece feita por encomenda para uma grande obra de Jim Jarmusch.

Veja também:
Meus discos de 2015, por Rafael Monteiro
Melhores do ano - 2015


David Bowie – Blackstar
O maior de todos se despediu de maneira triunfal.

Nicolas Jaar – Sirens
Se ele fosse mais descuidado, o disco poderia soar como uma versão atrasada de The Wall, do Pink Floyd. Por sorte, o rapazinho soube fugir do maniqueísmo ao montar o seu protesto político por trás de uma névoa em vez de um muro.

Pinegrove – Cardinal
Para não despertar a minha irritação instantânea, um disco de emo precisa ser muito, muito, muito bom. É o caso.

Blood Orange – Freetown Sound
Demorei para assimilar o disco. Se eu tivesse atentado à beleza do abraço da capa, teria compreendido de imediato. Quem ouviu, entende (curte e compartilha).

Solange – A Seat at the Table
Sabe quando você percebe que alguma coisa foi feita com muito CAPRICHO e te dá vontade de guardar em algum canto para preservá-la para sempre? Eu sinto algo semelhante com esse disco.

Carne Doce – Princesa
Se havia alguma dúvida, não resta mais. Salma Jô é a melhor letrista em ATIVIDADE no Brasil.

Frank Ocean – Blond(e)
Um grito contra todas as expectativas. Depois de uma desconstrução tão corajosa, podemos dizer que não sabemos o que esperar de Frank Ocean em novos álbuns. E isso é ótimo.

Carla Dal Forno – You Know What It’s Like
Uma das experiências sonoras mais singelas desse ano. A tristeza de não ter visto Julia Holter ao vivo foi quase recompensada ao descobrir uma artista com trabalho e talento similares. Procurar capas bonitas no Album of the year (segue me dando sorte).

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