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quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Livro: Memórias de um Legionário, de Dado Villa-Lobos (2015)


Os historiadores Felipe Demier e Romulo Mattos ajudaram o guitarrista a narrar a própria história 

A Legião Urbana foi o grande fenômeno do rock brasileiro surgido nos anos 1980. Muito mais do que qualquer outra banda daquela época, o trio formado por Renato Russo (1960 – 1996), Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá entrou para a história da música brasileira ao arrebatar fãs cantando pelo e sobre o Brasil em um momento de difícil transição política e emocional de quem viveu o período. Mas a banda foi muito mais além ao conseguir, para o bem e mal, atrair uma espécie de culto ao seu vocalista e sua obra.

Muitos livros já foram escritos sobre a trajetória da banda ou sobre Russo, mas o relato pessoal de Dado Villa-Lobos em Memórias de um Legionário (Ed. Mauad, 256 págs, R$ 40 em média) traz alguém que esteve presente em todos os momentos da Legião Urbana – da dificuldade em gravar o primeiro disco até virarem a grande banda da gravadora EMI no início dos anos 1990.

Leia também:
Livro: Jimi Hendrix Por Ele Mesmo, de Alan Douglas e Peter Neal (2014)
Livro: Manson – A Biografia, por Jeff Guinn (2014)
Livro: Nem Vem que Não Tem - A Vida e o Veneno de Wilson Simonal, de Ricardo Alexandre (2009)
Livro: Minha Fama de Mau, de Erasmo Carlos (2009)
Livro: Black Sabbath - A Biografia, de Mick Wall (2013)

Como uma boa biografia, é muito interessante saber o começo da vida de Villa-Lobos. Filho de diplomata, acabou indo de um lugar a outro durante a infância. Tanto é que ele é belga de nascimento, morou no Uruguai, na França e só foi fincar raízes no Brasil no início da adolescência. E o destino fez ele conhecer e fazer parte Turma da Colina, que tinha Renato Russo, Fê e Flavio Lemos, Philippe Seabra, entre outros. Todos formaram uma banda no início dos anos 1980 e conseguiram – uns mais, outro menos – sucesso.

A partir do início da Legião Urbana, os historiadores Felipe Demier e Romulo Mattos e a mulher Fernanda Villa-Lobos entram em ação com datas, referências, entrevistas, depoimentos e muitas lembranças esquecidas pelo guitarrista. Por um lado, o apoio deu um bom complemento ao livro; por outro, é maçante o uso do recurso toda hora. Faltou um pouco mais de equilíbrio ao citar livros sobre Renato Russo ou sobre a banda.

Villa-Lobos não esconde que era difícil trabalhar ao lado de Bonfá e Russo, que a guerra de egos era gigantesca. Ele também cita que chegou a pensar em sair da banda depois de chiliques ou falta de comprometimento de Renato nos shows, principalmente pelos problemas com drogas e álcool. Por isso, eles pararam de excursionar e ficaram apenas em estúdio nos últimos anos – coincidentemente, é o mesmo período que o estado de saúde do vocalista piorou em decorrência do vírus HIV.

Por mais que ótimos jornalistas tragam boas histórias sobre a Legião, ter uma biografia como a de Dado Villa-Lobos ajuda a elucidar certos pontos da carreira do grupo – e dele próprio. Ao fim das poucas mais de 250 páginas, dá para conhecer um pouco mais os bastidores e ideias da maior banda da história do rock brasileiro.



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