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quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Belchior, 70


Cantor fez aniversário ontem (26)

Quase passou batido o aniversário de Belchior – e olha que acordei ontem e logo dei play na edição do podcast Travessia sobre o cantor. Quando lembrei de fazer alguma coisa, já era tarde. Então, o que falar sobre ele? Muita gente fez isso com muita competência ao longo de todo dia. Não é sempre que um personagem tão interessante da música popular brasileira completa 70 anos.

O cantor já foi estudado, suas músicas idem. Mas como muitos de sua geração, ele acabou sendo tachado de brega. Acabou sendo uma pecha muito ruim, porque qualquer análise sobre sua obra fica comprometida por uma pré-análise completamente errônea. Os primeiros discos caem nesse injusto balaio. Os sucessos "Apenas Um Rapaz Latino-Americano", "Como Nossos Pais", "A Palo Seco" e "Velha Roupa Colorida" estão presentes no ótimo Alucinação, quando ele despontou como cantor para o Brasil inteiro.

Poucos conseguiram cantar o Brasil como ele e traduzir o interior do Nordeste em uma linguagem tão acessível e de fácil entendimento. Muitos o tratam como o "Bob Dylan brasileiro". Talvez seja mesmo, pois Belchior tem uma leveza e sensibilidade ao falar de determinados temas que só o mais novo ganhador do Nobel de Literatura teria feito. O sumiço e as matérias feitas sobre ele só aumentaram o folclore sobre Belchior. Quando ele deveria ser exaltado, fazem exatamente o oposto: o tratam como maluco e usam de sensacionalismo barato quando falam dele.

E quem conseguiu cantar sobre os anos 1960 com um quê de tristeza? "Como Nossos Pais" ficou muito conhecida na voz de Elis Regina, mas a interpretação de Belchior para sua letra também é muito boa. Talvez por ser o compositor, ele transmite o sentimento de quem era jovem e queria atravessar o sinal, de quem não via perspectiva de novos ídolos e ainda lamentava que, no fim, todos estavam repetindo os mesmos erros dos pais. Mas é você/ Que ama o passado/ E que não vê/ É você/ Que ama o passado/ E que não vê/ Que o novo sempre vem. Mais atual impossível.

Ele pode ter sumido por vários problemas pessoais, mas ninguém tem o direito de apagar o que ele fez na música brasileira. Se ele não quer mais gravar e prefere ficar sumido por qualquer que seja o motivo motivo, isso é problema dele. Mas não dá para excluir os discos e as canções, eternizadas para sempre. E é isso que ficará de Belchior: as bonitas canções.





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