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segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Livro: Nem Vem que Não Tem - A Vida e o Veneno de Wilson Simonal, de Ricardo Alexandre (2009)


Jornalista contou a história de um dos melhores cantores brasileiros

Injustiçado pela mídia ou dedo-duro de colegas de esquerda em plena ditadura? Essa é a pergunta que ainda se faz presente quando o assunto é Wilson Simonal (1938 – 2000). Maior cantor do Brasil entre o fim dos anos 1960 e início dos anos 1970, em vendas e musicalmente, ele sofreu com inúmeros problemas pessoais e a pecha de delator colou. Simonal nunca mais conseguiu o mesmo prestígio e entrou em uma derrocada que só parou quando ele morreu.

O trabalho de Ricardo Alexandre é conhecido por não envolver-se nos temas documentados, simplesmente cuida em contar histórias da melhor maneira possível. Nem Vem que Não Tem - A Vida e o Veneno de Wilson Simonal traz um relato simples e delicioso da vida de um cantor que não abaixou cabeça para ninguém e soube como poucos comandar uma plateia. Do início difícil e tímido até o auge, quando foi regente de 30 mil pessoas no Maracanãzinho e quando fez um dueto histórico com a cantora Sarah Vaughan (1924 – 1990). Tudo isso embalado por "País Tropical", o grande sucesso da carreira, no ponto alto da Pilantragem.

Mais livros:
Minha Fama de Mau, de Erasmo Carlos (2009)
Black Sabbath - A Biografia, de Mick Wall (2013)
A Garota da Banda, de Kim Gordon
AC/DC – A Biografia, de Mick Wall (2014)
Steve Jobs – A Biografia, de Walter Isaacson

Sem preocupar-se em agradar ou desagradar, a história de Simonal é contada pelo autor de maneira a deixar o leitor a tirar as próprias conclusões sobre qualquer acusação. No fim das contas, é difícil não acreditar que ele, um homem que gostava bastante do poder, acabou se envolvendo com as pessoas erradas e pagou o preço por ter sido cegado pelo próprio ego no melhor momento de sua popularidade. Se a imagem dele ficou colada em um dos piores momentos da história do Brasil, outros contemporâneos conseguiram se livrar disso ao longo dos anos e são lembrados apenas por sua música, diferente do intérprete de "Sá Marina".

Os momentos de alta são relatados com a mesma sobriedade do início e da triste decadência, quando o copo de uísque não saia da mão durante longos períodos de dificuldade financeira – nos últimos anos, em vários momentos, Simonal teve ajuda de velhos amigos e de fãs fiéis. Os 20 anos finais de vida foram ruins musicalmente, porque Simonal focou em provar que não era um delator. Em vão. Ele morreu sem conseguir o que desejava.

Até por correção da história da musica brasileira, o livro trouxe vida e obra de um dos maiores cantores brasileiros de todos os tempos. Como peça de pesquisa e histórica, o trabalho de Ricardo Alexandre amarra pontas, corrige inverdades e abre luz em uma curta, mas significativa e importante carreira de sucesso. Wilson Simonal merece esse reconhecimento.



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