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quarta-feira, 23 de março de 2016

Show: Iron Maiden em Brasília (22/03/2016)


Veterana banda passou pelo ginásio Nilson Nelson ontem

Por Tomaz de Alvarenga

Sou um metaleiro tardio. Desde moleque sempre curti Black Sabbath e Metallica, mas nunca me aprofundei muito no estilo. Até escutar e gostar bastante de The Book of Souls, recente álbum do Iron Maiden. Aí resolvi escutar tudo e me surpreendi com a qualidade dos trabalhos, principalmente na década de 1980. Grandes álbuns.

Mea culpa feita, vamos aos fatos. Não me incomodo do grupo fazer uma turnê do último álbum e tocar algumas faixas dele (foram cinco, acho), ainda mais sendo um trabalho legal. Acho que tem que ser assim e não apenas ficar revivendo o passado. Mas sim, me incomoda a banda abrir mão de alguns hits, como “Run to the Hills” e “Can I Play with Madness?”. Fizeram muita falta. Poderiam esticar um pouco o setlist de 15 músicas.

O ginásio Nilson Nelson estava lotado. Um calor absurdo, chegando ao ponto de ficar desagradável. Uma sauna. A acústica, como já era de se esperar, era lamentável. Fiquei na pista, perto da mesa de som e ali estava menos ruim. O Iron Maiden merecia um local melhor. E o público também. A única vantagem é que, ao contrário do Mineirinho, o ginásio não é tão grande, então de qualquer lugar, da pista ou arquibancada, o palco está próximo.

Vários ambulantes vendendo pipoca, hot dog e churros. E não vendiam nada. Já para comprar cerveja, sempre uma fila de uns 10 minutos. E alguns lugares aceitavam as fichas e pasmem, em outros não, precisava usar dinheiro. Então, para que raios existem as tais fichas?

Atenção produtora: creio que não deve ser o primeiro show de metal que vocês fazem, então vou explicar o óbvio: roqueiro/metaleiro vai ao show para beber. BEBER. Ele come? Sim. Na saída do show, um sanduíche, churrasquinho ou hot dog no primeiro ‘podrão’ suspeito que encontrar. Em alguns lugares faltou cerveja e quando o estoque era reposto, ela estava quente. Beber uma latinha de Budweiser QUENTE que custava R$ 10 dói na alma. E no bolso.

Apesar dos pesares, foi um ótimo show. Bruce Dickinson conseguia alcançar as notas mais altas, mas não conseguia sustentá-las. Considerando a idade e o fato de ter superado recentemente um câncer na boca, estamos todos no lucro. E pela primeira vez, não comprei uma camiseta, como faço em todos os shows. R$ 120 ficou bem acima de um valor razoável para um fã. Mas apesar dos pesares, o saldo é positivo.

E sobre o Anthrax, o show foi muito curto (30 minutos, mais ou menos), mas gostei bastante. E também gostei do comportamento do público, mais preocupado em curtir o show do que nas selfies. E muitas famílias, fazendo o metal passar adiante por gerações. O metaleiro é fiel.

Setlist:

"If Eternity Should Fail"
"Speed of Light"
"Children of the Damned"
"Tears of a Clown"
"The Red and the Black"
"The Trooper"
"Powerslave"
"Death or Glory"
"The Book of Souls"
"Hallowed Be Thy Name"
"Fear of the Dark"
"Iron Maiden"
"The Number of the Beast"
"Blood Brothers"
"Wasted Years"

Originalmente publicado aqui.

Nota: agradeço ao Tomaz por ceder o texto ao blog. Para mais textos dele, entrem no Contratempo.

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