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quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Quando retornos de bandas viram um negócio


Não é novidade para ninguém que muitas bandas encerram suas atividades por diversos motivos – dinheiro, ego, poder, dinheiro, ego e mais um pouco de ego são os principais motivos. E também não é novidade que algumas delas retornam como se nada tivesse acontecido, tudo para faturar em cima dos ávidos fãs loucos para vê-los mais uma vez. E mais uma. E outra. E outra.

Esses retornos ensaiados e, algumas vezes, bem falsos viraram o novo produto da chamada indústria musical. Há certo sentido nisso, porque muitas das bandas clássicas estão acabadas ou em vias de acabar. Dois exemplos: Motörhead e AC/DC. Duas bandas que lotam estádios, duas bandas que sofreram baixas e passaram, ou passam, por crises recentes. Duas bandas que estão vendo seus principais nomes, Angus Young e Lemmy Kilmister, envelhecendo cada vez mais a cada dia. Eles podem não querer, mas pararão suas carreiras em algum momento.

O problema está exatamente aí. Com a falta deles em um período não muito longe daqui, não há ninguém para substituí-los que faça a máquina de dinheiro girar tão rápido. E é por isso que cada vez mais bandas veteranas estão voltando. Olhem o a-ha, por exemplo. Estava parado até o início deste ano, mas aceitou um convite para tocar no Rock in Rio - de primeira, achei uma ótima ideia ter um show único para fazer parte das comemorações dos 30 anos do festival. Claro, eles aproveitaram a chance e fecharam datas até 2016, a começar pela Argentina e encerrar em Luxemburgo. Quem sabe não vêm mais datas por aí? Quem sabe no vem um disco novo? Um DVD ao vivo? É a tal roda girando mais uma vez. Quem gosta não deixará de ver. Talvez o problema esteja aí.

Só virou um negócio imenso porque os fãs pagam quantias absurdas para ver ou rever os ídolos. E nem precisa ser a banda original, basta ter 1/3 ou 2/3 para ser suficiente para haver disputa por ingressos em diversos lugares do mundo. É possível entender tudo isso, mas será que essas bandas/músicos/cantores/cantoras estão usando uma paixão para lucrar e garantir uma aposentadoria mais confortável? Uma pena que o fã não saiba que está sendo manipulado ao comprar essa ideia de retornos e coisas do tipo porque é sempre a mesma coisa (toca-se todos os hits, uma ou outra música diferente e fim). Hoje, quem está no palco precisa entregar mais do que uma dúzia de sucessos e bate-papo.

Uma pena que o fã seja essa figura manipulável e tem uma tendência a gostar de mais do mesmo. Com um olhar um pouco mais crítico, essa roda teria parado de girar há muito tempo e daria lugar a bandas boas novas. Quero só ver quando os chamados dinossauros do rock não estiverem mais aqui.