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quinta-feira, 21 de maio de 2015

Esse texto é sobre David Letterman (ou como saber parar)


Não é novidade falar sobre a despedida de David Letterman – se você estava em outro planeta, ele fez sua última aparição como apresentador do Late Show ontem. Recheado de astros e estrelas, o programa contou com o Foo Fighters como atração musical, um final bem justo para quem foi um dos apresentadores mais longevos da história da TV americana.

Entre as muitas homenagens, apareceram textos sobre sua carreira, suas melhores entrevistas, melhores monólogos, quadros e o momento em que, publicamente, assumiu que traiu a esposa com funcionárias de seu programa. Enfim, Letterman foi uma figura e tanto nos talk-shows. Se ele não inventou esse tipo de programa, sob reinventá-lo com maestria, tornando-se referência para quem gosta de um bom programa de entrevistas com atrações musicais.

E ao sair, e abrir espaço para a entrada de Stephen Colbert (brilhante apresentador, diga-se), é um sinal claro de reformulação nos programas. Letterman e Jay Leno eram os bastiões e últimos apresentadores no horário nobre da geração de roteiristas e apresentadores feitos nos anos 1970 e 1980. Agora os horários estão tomados por gente da nova geração – Conan O’Brian, entre idas e vindas e com mais tempo no ar, Jimmy Kimmel, Jimmy Fallon e Seth Meyers tomaram conta do horário dos talk-shows.

Assim como Leno há pouco mais de ano, Letterman resolveu parar de fazer seu programa. Em entrevista para Rolling Stone EUA, ele afirmou que só queria ir bem em seu último programa. "Nos velhos tempos, se havia algum tipo de programa especial, eu queria estar ali. E agora eu me sinto como, 'vamos fazer algo educado, feliz e sair daqui'".

Mas, talvez, a aposentadoria do apresentador é mais algo sobre saber parar do que continuar até o limite de suas forças. Pai aos 56 anos, hoje com 68, ele tem um filho de 11 anos. Adiar por mais um, dois, cinco anos a parada significaria perder o crescimento de seu filho. E perto de completar 70 anos, imagino que ele não queria isso para ele.

Admiro muito pessoas que sabem parar porque deve ser muito difícil fazer a mesma coisa por mais de duas décadas e, quase de uma hora para outra, não ter mais aquilo que, de uma forma ou outra, fez parte da sua vida. E isso vale para qualquer profissão em qualquer momento da vida. Parar de fazer alguma coisa que você gosta muito, seja por dificuldade em continuar, idade ou falta de saco, deve difícil. Mas tudo tem sua hora, como diria minha sábia mãe. E chegou a hora de Letterman.

Abaixo, o último Late Show com Letterman: