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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Cinco discos para conhecer lado experimental de Mike Patton


Por Giovanni Cabral

Mike Patton não leva a toa o apelido de "1000 voices", ele grita, murmura, solta falsetes, guturais, beatboxing, canto lírico... Enfim é um dos cantores mais esquizofrênicos e versáteis da história da música. Nesta lista, cito cinco discos experimentais dele, entre colaborações e projetos. Claro, aqui não está nenhum álbum do Faith no More, Mr. Bungle e Fantômas.

Maldoror - She (1999)

Sem sombra de dúvidas, She não é recomendado para quem nunca teve contato com o noise. É um projeto onde o vocalista se juntou ao japonês Masami Akita (ou Merzbow), construindo ruídos que não necessariamente podem ser considerados música.

Zumbidos, sussurros, explosões, distorções... Tudo aqui é jogado bem alto e é propositalmente excêntrico. Sons eletrônicos de Merzbow aliados aos efeitos vocais e berros sufocantes criam um álbum de difícil digestão, onde cada faixa deve ser encarada como uma maneira de testar o nosso próprio cérebro. E fazer isso é maravilhoso.

The Dillinger Escape Plan feat. Mike Patton - Irony Is a Dead Scene (2002)

O TDEP é uma das bandas mais alucinadas, técnicas e inteligentes dos últimos tempos. O seu som é definido como mathcore, algo que mescla metal, hardcore e jazz moderno. A ideia da união desses dois nomes, em um EP de apenas 18 minutos, surgiu enquanto a banda procurava um vocalista que iria substituir Dmitri Minakakis (que futuramente seria Greg Puciato).

A combinação é perfeita; a junção de uma banda cerebral com um cidadão que produz vocais extremamente criativos. "Hollywood Squares" contém um ritmo insano e cheio de quebras de andamento, e Patton consegue acompanhar isso de uma forma assustadora. A voz dele funciona perfeitamente nessa construção do caos, como em "Pig Latin" ou simplesmente com uma tormenta de gritos demoníacos em "When Good Dogs Do Bad Things".



Kaada / Patton - Romances (2004)

Trabalho em parceria com o compositor norueguês John Erik Kaada, que na época era da Ipepac Recordings. Apesar do título, Romances pode ser considerada uma trilha sonora para um filme de terror dos anos 1970, devido ao seu clima tenso e introspectivo.

Kaada constrói melodias a partir de instrumentos tradicionais, fazendo soar como Simon & Garfunkel em alguns momentos mais opacos. Este clima dark é acompanhado pelas letras e vocais lúgubres de Patton, que sempre buscam a vagueza e a criação de sensações sinistras, mas que em alguns pontos soa apenas debochada e quase otimista.


Peeping Tom - Peeping Tom (2006)

Dessa lista esta é a banda mais acessível, em que a ideia do projeto não é convencional. “Eu não ouço rádio, mas se ouvisse, é assim que gostaria que soasse. Essa é a minha versão de música pop”, assim Patton define o Peeping Tom.

A sonoridade fica entre o trip hop e a música eletrônica, sendo um caos organizado e o que é interessante aqui é como os convidados são encaixados em cada faixa. Participam nomes como Norah Jones, o rapper Rahzel , as bandas Massive Atack e Dub Trio, o DJ Kid Koala e até Bebel Gilberto, com quem Patton divide “Caipirinha”.


Moonchild - The Crucible (2008)

Mike Patton tem uma enormidade de colaborações com o lendário John Zorn, sempre passeando por ritmos avant-garde vindos da mente de um dos saxofonistas mais injustiçados e incansáveis do lado mais experimental da música. Aqui estão presentes também o baixista Trevor Dunn e o baterista Joey Baron. É um álbum que agradaria fãs de jazz e hardcore.

Patton é uma máquina humana de soltar barulhos através das suas cordas vocais. Ele grita, rosna, balbucia e faz com que o ouvinte fique maravilhado com a gama de ruídos que é criada. Enquanto isto, Baron mostra um leque incrível de compassos na bateria, e Dunn lança linhas densas e graves de baixo. Há momentos assustadores como em "Maleficia", e outras como "Hobgoblin", que forma uma bizarra união de free jazz com grindcore.



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