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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Boyhood não será esquecido (ao menos por mim)


Para quem esperava um Oscar equilibrado, realmente aconteceu. O que não esperava era da forma como foi. Por exemplo, esperava quatro prêmios para Birdman, quatro para Boyhood, três para O Grande Hotel Budapeste e um para Whiplash nas categorias principais, não apenas um para Boyhood e três para Whiplash, como foi o caso.

Coroar Whiplash da forma como foi mostra que os velhinhos da Academia estão mesmo de olho no cinema independente e de baixo orçamento que rendem boas histórias. O filme com Miles Teller e J.K Simmons é impecável e muito bonito – até escrevi sobre ele aqui.

Ver Birdman ganhar tantos prêmios não foi uma surpresa, mas não esperava ver Alejandro González Iñárritu vencer como diretor. Pegando os últimos anos, em que o Melhor Diretor não ganhou o Melhor Filme, apostei que Richard Linklater levaria o prêmio. Dessa vez, não foi o caso.

Aliás, fiquei muito chocado quando vi, ao final da cerimônia, que Boyhood ficou apenas com o Melhor Atriz Coadjuvante, com a ótima atuação de Patricia Arquette. Muita gente, muita gente mesmo, não gostou da história do garoto Mason. Como alguém que está chegando na faixa dos 30 anos, foi quase impossível não me identificar com esse filme.

Porque crescer nos anos 2000, para muitos garotos, foi exatamente aquilo: um lar desfeito ainda muito novo, mudar de casa, perder amigos, fazer outros, trocar de escola, ir ao desconhecido sem estofo suficiente para encarar aquilo como uma coisa boa. E eu vi muitas histórias assim e fiquei sabendo de outras tantas. Talvez por ainda estar fresca na memória de muita gente, a década passada ainda gera mais opiniões pessoais e sentimentais do que os anos 1990, enfim dissecados por livros e filmes bem atuais.

A beleza de Boyhood está em perceber o resultado de 12 anos de filmagem, em ter mantido o elenco no rumo certo com todos passando por mudanças físicas e mentais. A beleza desse filme é ver que crescer não é fácil e que, ao que parece, mesmo com todas as facilidades, a pressão da sociedade por resultados acima da média só aumentou.

Como já disse várias vezes no Twitter, não sou um especialista em cinema – a Júlia Mariano é –, mas nunca me esquecerei de Boyhood. Porque é um filme que dialoga comigo diretamente, seja na trilha, nas atuações ou em cenas específicas. Linklater fez um trabalho muito mais importante que o de ganhar um Oscar: tocar o coração de muita gente da minha idade. E, para usar um clichê bem velho, não tem preço.

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