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sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Festivais: Zoombie Ritual Open Air 2014 - como foi


Por Giovanni Cabral

Para quem não sabe, o Zoombie Ritual é (ou era pra ter sido) o maior festival de metal extremo da América do Sul, criado inicialmente em memória a Chuck Schuldiner, o lendário líder do Death. Em sua sétima edição, realizada entre os dias 11 e 14 de dezembro, em Rio Negrinho, Santa Catarina, o evento teve alguns problemas que repercutirão bastante.

Em primeiro lugar, as comparações com o Metal Open Air,(MOA), realizado no Maranhão há quase três anos, são um pouco exageradas, principalmente comparando a estrutura dos dois lugares. Na Fazenda Evaristo, por exemplo, a área do camping não era nenhum estábulo (como o exemplo do MOA). O único problema foi realmente a limpeza: no quarto dia, via-se um grande acúmulo de latas de cerveja por toda a área, além dos banheiros, que tinham montanhas de papel higiênico espalhadas.

O Zoombie Ritual é um festival que sempre ouvi elogios a respeito, e precisava ver como era realmente era aquilo. Comprei o meu ingresso em junho, ainda no primeiro lote, quando poucas atrações de renome haviam sido divulgadas. Tive tempo de me planejar.

Assim como em 2013, a organização contava com uma alta venda antecipada de ingressos e as vendas de bebidas (sim, foram vendidas uma centena de latas por dia) para pagar o cachê das bandas. Bom, pelo o que dizem, apenas dois mil ingressos foram vendidos, um número baixo e não suficiente para bancar muitas das despesas. Por conta disso, houve uma contenção de gastos e uma priorização em alguns pontos, gerando, entre outras coisas, cancelamento de uma dezena de atrações. Dentre elas, alguns grandes nomes internacionais como Incantation, Brujeria e Carcass. Todos que foram viajar na quarta ou quinta-feira, já tinham em mente que o cenário a ser encontrado em Rio Negrinho era incerto.

Na quinta-feira, ao chegar na área onde seria os shows, uma surpresa: não tinha qualquer palco montado ao ar livre - seria um evento OPEN AIR, como divulgado. Bom, tudo ok, todos os equipamentos haviam sido montados em um enorme galpão. O local era um CTG (Centro de Tradições Gaúchas), isto explica placas constrangedoras, como "proibido dançar maxixe".

O primeiro dia começou com atrasos normais e com bandas do sul do Brasil iniciando as atividades. O Vicious Rumours foi a primeira banda estrangeira da noite, com um power metal contagiante e tendo um ótimo vocalista. Em seguida, os veteranos do thrash do Artillery subiram fizeram um show competente. Mas logo após isso, o organizador Juliano Ramalho subiu ao palco e avisou ao público que o Destruction não se apresentaria mais (a banda era o headliner daquele dia). Ele explicou que o grupo até estava hospedada na cidade, mas o engenheiro de som deles alegou que não haveria apresentação devido a qualidade do equipamento presente – o sistema de som era horrível. Juliano então citou as farpas que ocorreram e a tentativa fracassada de viabilizar o show, até afirmar que a banda entrou em contato com a produção do Venom para os ingleses não irem se apresentar - eles eram a atração principal, escalada para o domingo. Vocês podem imaginar o que ocorreu... Latas voando sobre o organizador, seguranças o protegendo...Tudo para pergunta desnecessária: "vocês querem ou não que o festival continue?"... E ainda havia três dias pela frente.

Na sexta-feira, todos acordaram com algumas dores e um grande desânimo. Apesar das terríveis notícias, todos agiram de maneira civilizada e educada até acabar tudo. Alguns shows enérgicos embalaram a noite, os poloneses do Besatt e os paranaenses do Doomsday Ceremony aqueceram para o ápice da noite. Os argentinos do Necropolis colocaram o público sobre o seu domínio ao tocar um set baseado em clássicos do death. Após isto, algumas bandas de black metal tocaram pela madrugada (e eu definitivamente já não estava mais sóbrio).

No sábado, acordei e resolvi experimentar a tirolesa que estava funcionando. Dei sorte de chegar a tempo para ver os paraguaios do Kuazar fazer um de seus fervorosos shows, assim como todas as outras vezes. Lá pelo fim da tarde, outro problema: a equipe de sonorização estava ameaçando desmontar tudo caso uma última parcela não fosse paga. Sorte que um dos patrocinadores conseguiu bancar a quantia. Se o bom show do Nervo Chaos animou, o Belphegor lotou toda a dependência e fez uma memorável apresentação com o seu infernal black/death metal.

Mas nada se compara ao que o Terrorizer fez. Com fama de supergrupo e tendo a lenda Pete Sandoval, ex-Morbid Angel, nas baquetas. O som do trio de grindcore foi tão energético ao ponto do público arrancar as grades de proteção. Até derrubaram um segurança do palco e ele, claro, foi passear nos braços do povo. Poderia acabar tudo ali, uma experiência incrível e um dos melhores shows que vi na vida. Fecharam a noite, os noruegueses do Blood Red Throne - com um vocalista bem carismático - e um set morno dos belgas do Enthroned. No domingo, um clima de depressão já batia, e devido a tantas baixas, apenas três bandas tocaram; com destaque para o Mystifier.

Realmente foi um evento que necessita profissionalização, caso ocorram novas edições. Não dá para algo deste porte tentar ser eternamente independente, claramente precisa de um apoio privado. Peguei apenas algumas horas de estrada para assistir aos shows, mas imagino a decepção de quem veio de Tocantins, Piauí, Amazonas, Argentina ou Colômbia, carregando um sentimento de enorme frustração na volta. O espírito de fraternidade presente neste tipo de evento é rico e único e quem organiza precisa do mínimo de planejamento para não perder isso.


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