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sábado, 29 de novembro de 2014

Tchau, Chespirito


Os personagens que Roberto Gómez Bolaños criou fazem parte da vida de muitos brasileiros – eu incluso, claro. De tantos anos assistindo Chaves, acabei decorando boa parte das falas e ainda dou risada, mesmo sabendo exatamente o que acontecerá no episódio. Assistir Chaves e/ou Chapolin é um dever quase sagrado.

Bolaños se foi. Estava escrevendo um texto e demorei cerca de dez minutos para reagir. Mas quando reagi, desmoronei como se um parente muito próximo tivesse morrido. Não chorava tanto desde a morte do meu tio, há pouco mais de cinco anos. Por menos que esperasse, no meu imaginário, eu ainda ia apertar a mão dele e agradecer por tudo que ele fez na minha vida.

Muitas vezes, quando estive triste, os personagens que esse gênio criou estavam lá para me animar. Ninguém entendeu melhor o povo latino do que Chespirito. Vai criar um super-herói? Ele precisa ser valente, mas valente para enfrentar o próprio medo. Vai criar uma série? Coloca um menino pobre e atrapalhado, porém otimista ao extremo, para ser o personagem principal.

Não paro de chorar desde ontem.

Por isso, esse texto demorou mais de 12 horas para sair, porque não conseguia parar de chorar e só fui dormir perto das duas da manhã. Porque era impossível não lembrar o que aconteceu, era impossível não lamentar a morte de um ídolo que passou mais tempo comigo do que 90% das pessoas que conheci na vida. Porque é impossível não chorar vendo o episódio de Acapulco, o episódio em que o Chaves não tem ninguém para acompanhá-lo até a escola ou quando ele divide os pedaços de bolo que pegou da festa Quico com Seu Madruga.

Bolaños é um dos meus heróis.

Um herói sem capa, um herói que disse muito usando seus personagens, um herói que fez a alegria de milhões de pessoas pelo mundo. Um herói que me alegra há quase 30 anos. Sabe o que é mais engraçado? Ninguém precisa lembrar o legado dele porque está aí, espalhado pela TV.

Obrigado por tudo, Chespirito. Vá encontrar Don Ramón, o Horacio, Angelines e o Raúl. Faça uma festa no número 8. Porque, como você disse uma vez em um episódio de Chapolin, o show tem que continuar.








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